Teatro Nosso De Cada Dia

De Celso Frateschi, Teatro Nosso de Cada Dia

A montagem captura instantes do cotidiano e

oferece opções de leitura ao espectador.

 

Partindo de cinco eixos de pesquisa (A cidade e o teatro do dia e da noite, A cidade e o teatro do amor e da guerra, A cidade e o teatro dos deuses e dos homens, A cidade e o teatro dos sons, A cidade e o teatro da vida e da morte), o espetáculo Teatro Nosso de Cada Dia marca o reinício das atividades do Teatro Ágora.

Trabalho coletivo com dramaturgia final de Celso Frateschi - que também assina a direção e está no palco -, tem cenário e figurinos de Sylvia Moreira, trilha original de Marcelo Amalfi e luz de Wagner Freire. No palco, um grupo de jovens atores - Belize Pombal, Celso Frateschi, Dani Theller, Fábio Takeo, Fernanda Hartmann, Francisco Wagner e Teca Pinkovai.

 

O texto finca o pé na realidade para construir a ficção. A encenação segue o ritmo ágil da metrópole ao captar instantes do dia-a-dia e enxergá-los sob a lente do teatro.

 

Acontecimentos são flagrados no táxi, no ponto de ônibus ou na agência funerária. Ora o atropelamento na avenida, a vida sem expectativa, separação, traição, preconceito e solidão. O teatro que cria uma segunda camada de interpretação ao dar voz aos pensamentos das personagens e deixar o público com variadas opções de leitura.

 

“24 horas na cidade de São Paulo, narradas por recortes de personagens que mais escolheram do que foram escolhidos fazer parte de nosso espetáculo. Fomos escolhidos por personagens que surgiram do anonimato e aceitamos com entusiasmo os seus pedidos de socorro para que passassem a existir”, explica Celso Frateschi.

 

Da observação de registros fotográficos, entrevistas, aproximações, fatos noticiados e fatos vivenciados, surgiu a inspiração livre para a criação das cenas. “Criamos muito material a partir do teatro cotidiano inventado pelos paulistanos e abandonamos grande parte dele. Construímos nossas cenas dos mesmos lugares onde os cidadãos criam o seu teatro para sobreviver à metrópole. Depuramos lentamente as que agora compõem o nosso espetáculo. Seguimos o caminho que parte do dia a dia da realidade contemporânea para depois alçar a ficção”, fala Frateschi.

 

Por vezes, o próprio teatro aparece como personagem e interfere na história  emprestando seus clássicos, de Sófocles a Brecht, passando por Shakespeare e Tchecov. Seus textos entram em cena na cidade de São Paulo no século XXI, para explodir a realidade com sua potência poética.

 

“Todos nós representamos, mas quando o teatro nos representa surge a consciência da possibilidade do devir. Criamos nosso espetáculo como uma homenagem ao teatro, ao teatro cotidiano que se passa nas ruas e longe dos palcos, tão necessário ao homem quanto respirar e comer, e ao teatro de nossos grandes mestres, que generosa e involuntariamente, nos emprestam os seus textos para nos mostrar que tudo pode ser diferente quando surge a poesia”, discorre Celso.

 

No projeto Ágora em Cena, o Ágora aprofunda ainda mais seu foco de pesquisa para expor ao entendimento o comportamento e as relações entre os homens nesse começo do século. “Registrar o seu tempo é ainda uma das principais funções da arte teatral. “Nesse trabalho temos como ponto de partida os ritos teatrais cotidianos que criamos para sobreviver. Muitas vezes dizemos as mesmas palavras, silenciamos as mesmas pausas, usando os mesmos figurinos e nos movemos nas mesmas marcas, nos mesmos cenários.”

 

Os mais recentes espetáculos montamos pelo Ágora foram clássicos - Shakespeare, Molière, Tchecov, Dostoieviski -, encenações que contribuíram para analisar o homem do século XXI. “Agora vamos partir do homem do século XXI para tentar chegar onde ainda não conhecemos”, adianta Celso Frateschi.

 

 

 

Ficha Técnica:

Texto: Trabalho coletivo com dramaturgia final de Celso Frateschi. Direção: Celso Frateschi

Co-Direção: Fernando Nitsch. Elenco: Belize Pombal, Celso Frateschi, Dani Theller, Fábio Takeo, Fernanda Hartmann, Francisco Wagner e Teca Pinkovai. Cenário e Figurinos: Sylvia Moreira. Trilha original: Marcelo Amalfi. Cenotécnico: Luis Rossi. Comunicação: Bonaparte.

Luz: Wagner Freire. Fotos: João Caldas. Assessoria de Imprensa: Arte Plural. Realização ÁGORA TEATRO.

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