SOU UM HOMEM RIDÍCULO
SOU UM HOMEM RIDÍCULO
Há momentos na vida em que se acumulam sobre as nossas verdades, o pó dos tempos. A verdade se solidifica e perde o brilho, o que nos movia adiante passa a nos paralisar e o pó umedecido pelos lamentos, seca numa triste argamassa de crtezas que nos petrifica. Romper a estagnação é tarefa dos artistas. Foi esta busca que trouxe esta provocação de Dostoievski. Não possuo as suas crenças, mas desejo a sua inquietação. Busco no seu sonho, ridículo como todos os sonhos, aquilo que rejuvenesce e religa a velhice do contemporâneo ao imaginário da infância da humanidade.
Há momentos na vida em que se acumulam sobre as nossas verdades, o pó dos tempos. A verdade se solidifica e perde o brilho, o que nos movia adiante passa a nos paralisar e o pó umedecido pelos lamentos, seca numa triste argamassa de crtezas que nos petrifica. Romper a estagnação é tarefa dos artistas. Foi esta busca que trouxe esta provocação de Dostoievski. Não possuo as suas crenças, mas desejo a sua inquietação. Busco no seu sonho, ridículo como todos os sonhos, aquilo que rejuvenesce e religa a velhice do contemporâneo ao imaginário da infância da humanidade.
Talvez, mais do que nunca, necessitemos de um projeto ridículo de nos entendermos como um todo. Talvez ainda sejamos ridículos o suficiente para crer em algumas criações da humanidade como a ética e a estética. Talvez a beleza, mesmo que ridícula, ainda possua algum sentido. Quem sabe as coisas são como são porque as forjamos assim e não por que são inevitáveis e por isso valha a pena o ridículo de tentar transformá-las? Creio que seja possível a busca de um teatro sem adjetivos. Um teatro que afirme negando e vice-versa, mas totalmente despreocupado com a negação e com a auto-afirmação. Que renda todos os créditos aos nossos mestres traindo-os, amável e respeitosamente, que é a forma mais elevada de homenagem que um artista pode prestar ao outro. Um teatro sem legendas que respeite a criatividade e a inteligência da platétia, que evite a soberba preguiça de que tudo já foi feito e se lance sem rede de proteção na aventura do desconhecido. Que não se limite e nem se intimide com as aparências. Que assuma o homem como seu trabalho. Que perceba que cada época se produz e que o artista se produz ativa, crítica, arriscada e prazerosamente!
Celso Frateschi.
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