RICARDO III
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O “Teatro, Vinho e Pensamento” (TVP) recebeu quarta-feira passada Elias Andreato para uma conversa que se mostrou intensamente afetiva. Bate-papos de extrema liberdade tem ocorrido a cada evento, em que tanto o artista-provocador quanto os demais participantes se colocam com extremo respeito e pertinência, trazendo ao teatro aquilo que lhe cabe: prazer e conhecimento.Elias contou como chegou ao teatro, pela função de camareiro e contra-regra. Apesar de não ter formação acadêmica em teatro é um estimulador de quem quer tomar tal iniciativa. Ele disse que o ator de hoje precisa ser esperto, ler muito, ter opinião sobre o próprio trabalhho. Não é mais como no início da sua carreira em que valorizava-se o ator “bom executador” da vontade do diretor.
Mesmo depois de ter tido um longo período de parceria com Paulo Autran, a dificuldade em produzir seus trabalhos e o questionamentos sobre como atingir o público continuam - desde como fazer as pessoas irem ao teatro até como poder comunicar-se de forma eficaz com elas. Sua peça “Doido” continua em cartaz no teatro da Livraria Cultura no Conjunto Nacional às quintas e sextas, 21h, baseado em textos de grandes escritores e pensadores. É uma boa maneira de se juntar ao seu pensamento teatral, tendo servido de referência em muitos momentos do nosso bate-papo.
Sobre a simplicaidade do espetáculo, ele disse que faz parte da natureza do trabalho, mas que ele gosta também do uso da tecnologia, embora seja uma imensa tragédia quando esse aparato todo não funciona. Uma tela azul quando alguém aperta o “play” leva embora tudo que o teatro tenta construir. Aliás, o primeiro computador que teve, foi um MacIntosh, dado pelo Celso (Frateschi), que ele usou muito tempo como abajur. “Tinha uma luz linda aquele computador…”.
Perguntado sobre como se prepara para seus trabalhos, ele contou que já teve todo tipo de ritual, mas que largou-os todos. Quando alguém vive sozinho e gosta dessa solidão, segundo ele, o teatro começa quando sai de casa. Ele caminha pensando no texto e, ao chegar ao teatro, já lembrou-o todo. Depois disso, ainda varre o palco e simplesmente faz o que tem de ser feito. Tudo já é teatro desde o momento em que sai de casa.
Ele continua assistindo teatro e contou sobre a vez em que viu Cleyde Yáconis fazendo “Caminho para Meca” e havia apenas 30 pessoas na platéia. Ele pensou no absurdo que acontecia ali. Depois, falando com ela no camarim, vendo a alegria que ela demonstrou por estar ali, sentiu até vergonha de ter pensado aquilo durante a peça.
Sobre ver teatro, comentou que o importante é ter os olhos para ver o que o outro faz e se espantar com o diferente, sem a recorrente atitude de, através dos outros, ver apenas como vc mesmo faria aquele trabalho.
Próximo TEATRO, VINHO E PENSAMENTO é dia 04 de novembro com MARIA RITA KHEL, dando início aos seminários A CIDADE TEATRALIZADA. Fique atento à programação!