BLOG DO CURSO DE TERÇA

24 de Setembro de 2009 às 20:36

Oi queridos,

esse é o nosso espaço para discussão e troca de material do nosso curso.

Abraços,

Bruno, Celso, Cintya, Denise e Mawusi.

 

7 Comentários neste artigo

 
cadu Escreveu:

e ae Renato aquele SARAU sai ou não sai em !!

abraços gente até terça

 
cadu Escreveu:

SP ————————————–011

Nossas ruas são como galerias de arte, temporárias, mas constantes na maioria das vezes. Existem por um certo período, até que um vizinho mal-humorado ou a prefeitura os cubram de tinta.
São tantos e tantos que dão cor e personalidade aos concretos das ruas, são os grafites e as pichações em uma cidade pouco arborizada, com um crescimento desorganizado, um vai e vem desenfreado das pessoas, dos carros, do barulho, dos cheiros…
A galera meio que faz o que quer, o que dá na telha.
Vivemos andando ou parados no transito, em meio a violência, em meio as oportunidades. Opções para tudo e para todos em qualquer lugar, em qualquer hora do dia, restaurantes, farmácias, supermercados, lojas, shoppings, escolas, universidades, boca de droga, baladas, bares, raves, tudo 24 horas é para cidade não parar mesmo, ah, só o metro que para.
Concorrências no mercado de trabalho, desemprego, concursos, nepostimo, indicações, quem indica.
Pessoas analfabetas, formadas, pós-graduadas, com cultura, sem cultura, com estudo, sem estudo, com $, sem $. Um lugar onde até músicos, atores, artistas, conseguem viver do seu oficio.
Homem, mulher, gays, lésbicas, o bem, o mal, o certo, o errado, o preto, o branco, só depende de você.
Cidade do caralho, impaciente, inquieta, calma, tranqüilo, estressado, parada, andando, ensolarada, chuvosa, alagada.
Experiências inesquecíveis, as vezes meio discriminado por fumar um baseado, apenas mais um nessa imensidão.
Temos o pastel de feira, o caldo de cana, virada cultural, lojas monotemáticas, uma vida noturna incrível para todos os gostos, musicas desde o repente ao eletrônico, dá para passar o dia todo na rua Augusta, os trilhos estão crescendo e a distancia diminuindo.
Favelas, mansões, apartamentos, condomínios, invasões, sem teto, com teto, ai a desigualdade.
Amo muito tudo isso, pela sua diversidade, pelos mistérios, pelo tamanho, pelo caos. Um pequeno grande mundo, com centenas de países dentro da própria cidade, com idiomas, sotaques e costumes próprios.
Não ta satisfeito? Cai fora …
Te garanto que se você for agora no aeroporto, na rodoviária, um monte, mas um monte de pessoas estão desembarcando aqui para tentar a vida na cidade grande.

 
Camila Escreveu:

Ando pensando muito nessa coisa da simplicidade da vida, que temos conversado nos últimos encontros. Dessa vida que a gente leva cheia de potência, mas também com tanta fragilidade. Por que às vezes caímos em umas armadilhas feitas por nós mesmos? E o pior é que já sabemos dessas artimanhas que criamos e fazemos questão de entrar nelas. Vivemos nessa tensão da vitimização e agressão contra nós mesmos; ninguém impõe determinados lugares, nós é que entramos neles. Nessas zonas de conforto (é quase uma volta à infância instintiva) que fazem os outros terem compaixão - talvez porque também conecte nos outros essa fragilidade. Mas talvez o desafio ativo seja encontrar os lugares potentes de nós, e expandir o espectro de possibilidades de ser (mas não é linear e faz sempre parte voltar para a fragilidade). E esse desejo todo mundo tem. É uma explosão de mundos, de sentimentos, de experiências e afinal, do que pode um corpo. Tudo isso dentro de uma pessoa emaranhada de outras pessoas. Poxa, isso é enorme do tamanho do mundo. Sim, eu quero viver mais dessa vida banal.

 
Camila Escreveu:

Ah, e salve Benjamin para a construção do texto/ hipertexto:
- Narrativa forma artesanal de comunicação, seu compromisso não é com o conteúdo, mas com a composição com o narrador.
- Capacidade de trocar as experiências vividas por palavras.
- Experiência propicia ao narrador a matéria narrada, seja ela própria ou relatada.
- Narrador enquanto conselheiro de seu ouvinte, que transmite experiência. Sabedoria como conselho a partir da experiência vivida.

Tchau!

 
Camila Escreveu:

THEREZA GRISÓLIA TANG
(1922-2009)

A primeira juíza do Brasil tinha orgulho de vestir a toga
ESTÊVÃO BERTONI
DA REPORTAGEM LOCAL

O último desejo de Thereza Tang foi atendido no domingo, em Florianópolis: ela foi enterrada de toga, tamanho o orgulho que sentia de sua profissão. Desde 1954, a gaúcha de São Luiz Gonzaga detinha o título de primeira mulher a se tornar juíza no Brasil.
Foi superando obstáculos e preconceitos que ela chegou lá. Até os pais, conservadores, não concordavam com a opção dela por entrar no mundo do direito. Por um tempo, o irmão chegou a pagar escondido seus estudos, conta a sobrinha Mônica, que hoje é juíza em SC por influência da tia.
Quando prestou concurso, ouviu baboseiras do tipo: “Você tem certeza de que quer ser juíza? Não prefere tentar uma carreira mais comum às mulheres, como a de professora?”. Sugeriram-lhe até que ficasse em casa cuidando do lar.
Entrou tudo por um ouvido e saiu pelo outro. Thereza permaneceu na profissão até se aposentar compulsoriamente, aos 70 anos, fato que lamentou muito. Dependesse dela, continuava na labuta.
Foi desembargadora, corregedora-geral de Justiça e presidiu o TJ-SC. O amigo e desembargador aposentado Francisco Oliveira Filho lembra que ela, quando corregedora, levantou questões cruciais que levaram ao aprimoramento de leis, como a que garante melhores condições para mulheres presas.
Sofria de Parkinson. Viúva, morreu sábado, aos 87, devido a um câncer de pâncreas. A missa de sétimo dia será hoje, às 18h30, no colégio Catarinense, em Florianópolis. Deixa uma filha e três netos.

 
Camila Escreveu:

Passei essa semana ouvindo depoimentos - testemunhos de familiares de mortos e desaparecidos, e vítimas dos crimes do regime militar. Nossa, tão precioso, tão duro.
A questão é não esquecer, resgatar memórias, para olhar o passado de frente. Ou, como disse Paulo Endo, para lembrar com saudades e poder esquecer sem vergonha. Maria Rita Kehl apontou então a importância desses depoimentos para ocupar um lugar no simbólico de todos nós, e com isso levar a um campo da memória em que o trauma possa ser trabalhado.
Daí a questão: transfomar a notícia de jornal em narrativa - porque esta última transmite experiência (voltando ao Benjamin) - , e com isso ter a possibilidade de incluí-la no campo do simbólico.

 
Camila Escreveu:

O desafio cívico

O enfraquecimento de uma percepção global leva ao enfraquecimento do senso de responsabilidade – cada um tende a ser responsável apenas por sua tarefa especializada – bem como ao enfraquecimento da solidariedade – ninguém mais preserva seu elo orgânico com a cidade e seus concidadãos.

(Morin, Edgar. A cabeça bem–feita: Repensar a reforma, reformar o pensamento. São Paulo: Cortez, 1999)

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